O trabalho é motivo de alegria para muitas pessoas. Além de ser a principal forma de obter dinheiro e conseguir viver com qualidade, é também uma maneira de se sentir útil e produtivo. Entretanto, a atividade profissional nem sempre é saudável. Em alguns casos, ela pode mobilizar sentimentos opostos — o que acontece nas síndromes de burnout e de boreout.

Racionalmente, ninguém deseja ficar sem o seu sustento, mas o que fazer quando o emprego acaba adoecendo o profissional? Você sabe do que se tratam os dois problemas que citamos? Em geral, o burnout tem sido muito discutido nos últimos anos, mas ainda pode ser novidade para vários profissionais.

Por isso, confira as informações que trouxemos e saiba se você corre o risco de sofrer com essas dificuldades. Se existir o perigo, neste post você saberá como contorná-lo. Vamos lá?

O que são as síndromes de burnout e de boreout?

Ambos os temos vêm do inglês e a tradução já explica muito. O burnout, por exemplo, significa “queimar até a combustão”. No mundo empresarial, esse termo passou a ser utilizado para indicar estresse e sobrecarga. Ou seja, um profissional que trabalha até a exaustão. Essa é a problemática principal de quem tem a síndrome.

O excesso de carga causa esgotamento físico e emocional. A pessoa fica incapacitada de realizar suas funções com excelência, pois não aguenta mais o ritmo de trabalho. O burnout se expressa em três conjuntos de sintomas: a exaustão psicológica, a insatisfação pessoal e a despersonalização — perda de sensibilidade nas relações.

É comum que a pessoa se sinta com baixa autoestima e sentimentos de inferioridade em relação aos colegas. Além disso, ela experimenta uma grande angústia quando vai trabalhar (inclusive com episódios de choro). A ansiedade pode levar o profissional ao isolamento na empresa e até na vida pessoal.

O burnout, também conhecido como depressão no trabalho, é um sério problema no ambiente laboral. Dados da Organização Mundial da Saúde indicam que ele será a segunda maior causa para afastamento do trabalho em todo o mundo até 2020. Mas ele não é o único que traz prejuízos para funcionários e empresas.

A síndrome de boreout tem origem na palavra “bored”, que está ligada à sensação de tédio. Assim, ela indica o oposto do burnout. Se naquele o profissional está mal pelo excesso de trabalho, nesse ele enfrenta dificuldades oriundas da ausência de desafios e objetivos profissionais.

Os principais sintomas do boreout são: o desânimo, a desorientação profissional, a sensação de não estar aproveitando suas capacidades e o desinteresse ou falta de identificação com as funções que exerce. Com isso, a pessoa perde o prazer de trabalhar e não tem perspectivas para o futuro.

Como perceber os riscos de ter o problema?

Os sinais de alerta para as duas síndromes envolvem tanto aspectos externos quanto internos. Embora o burnout e o boreout sejam mais comuns em cargos ligados ao atendimento do público, qualquer profissional pode vivenciar os sintomas.

Fique atento a alguns sinais de que a sua empresa ou função pode gerar o risco de desenvolver esses problemas:

  • ter pouco trabalho e passar muito tempo sem atividades;

  • receber menos responsabilidades do que poderia;

  • realizar funções que não se adequam à sua qualificação;

  • encontrar muitas limitações ao dar uma ideia inovadora;

  • não ter seu trabalho reconhecido pelas pessoas;

  • não ver oportunidades de crescimento na empresa;

  • realizar atividades monótonas;

  • submeter-se a condições precárias de trabalho;

  • estar sobrecarregado;

  • fazer constantemente hora-extra ou levar atividades para casa;

  • trabalhar em empresas com clima organizacional ruim;

  • vivenciar pressão excessiva ou assédio moral por parte dos superiores;

  • envolver-se em relações de competição e conflitos com colegas.

É preciso conhecer também os sinais físicos e psicológicos que têm relação com as síndromes de burnout e de boreout. Veja quais são os principais:

  • sensação de angústia, aperto no peito e frio na barriga no horário de trabalho;

  • crises de choro durante o expediente ou antes de ir para a empresa;

  • perda do prazer na atuação profissional;

  • tédio e desinteresse em relação às suas funções;

  • cansaço físico e mental ligado ao trabalho;

  • sentimentos de insegurança;

  • falta de concentração nas atividades que exerce;

  • queda da produtividade.

Como combater as síndromes?

Cuide de sua saúde

A melhor atitude que você pode ter em relação ao burnout e ao boreout é a prevenção. É muito importante investir em qualidade de vida para evitar e combater qualquer problema. No trabalho, procure construir boas relações com os colegas e os líderes. Se o ambiente não for positivo, tente não absorver a negatividade.

Além disso, é fundamental cuidar da sua saúde na vida pessoal. Tenha momentos prazerosos fora da empresa. Pratique atividades físicas, alimente-se corretamente e inclua na sua rotina atividades divertidas com os familiares e amigos. Esses aspectos podem proteger você contra emoções doentias do trabalho.

Converse com seus superiores

É muito comum que pessoas com sintomas de burnout e de boreout se fechem e não dialoguem com ninguém sobre o problema. Seja dentro ou fora do trabalho, você precisa falar sobre isso. Sentir ansiedade ao comunicar a questão para um supervisor é normal, mas isso é importante para que a empresa esteja ciente e possa tomar atitudes efetivas.

A falta de diálogo pode culminar em pedido de demissão por parte do funcionário ou da empresa. Já se o assunto for discutido, não é preciso chegar a esse extremo. A boa notícia é que muitos gestores estão mostrando preocupação com o assunto e reconhecendo que é preciso cuidar da saúde dos colaboradores.

Um clima organizacional positivo, que estimule a colaboração entre todos e o crescimento profissional, é um dos principais fatores preventivos das síndromes ligadas ao trabalho. Tomar atitudes nesse sentido evita adoecimento dos funcionários e prejuízos para a empresa. Por isso, seus superiores precisam saber o que você está passando.

Tenha objetivos

A ausência de perspectiva profissional é um grande fator de risco para o desenvolvimento das duas síndromes. Logo, é saudável estar sempre pensando sobre os próximos passos que deseja dar. Tenha em mente quais são os seus objetivos para o futuro. Se você quer crescer profissionalmente, avalie se a empresa na qual trabalha oferece oportunidades para isso.

Se a resposta for não, trace a meta de conquistar novas colocações em outros lugares. Quando se está em uma organização que causa muito estresse ou não reconhece suas capacidades, a melhor decisão pode ser procurar outros caminhos profissionais, mesmo que esse seja um objetivo de longo prazo.

Procure ajuda profissional

Por fim, quem está sofrendo com esgotamento ou tédio no trabalho deve entrar em contato com um especialista quando necessário. Fazer terapia com psicólogo é o tratamento mais indicado nesses casos. Em algumas situações, o acompanhamento com um médico psiquiatra também pode ser útil.

Enfrentar a síndrome de burnout ou de boreout está cada vez mais comum. Felizmente, também vemos aumentar as discussões sobre esses problemas. Fique atento aos sintomas e se cuide. Se sentir necessidade, procure ajuda para restabelecer sua saúde e voltar a encontrar alegria no trabalho.

E então, o que achou do post? Quer compartilhar uma dúvida ou opinião? Deixe seu comentário!

 

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